Moizita

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Agradecimentos

A todos aqueles que, apesar de tudo, me apoiam. A ti, porque és a única pessoa que sabe evitar as minhas paranóias e acreditas em mim o suficiente para me fazeres acreditar também um bocadinho. Ao teu colo, ao teu cheiro, a todos os nossos momentos. Amo-te.
A essas pessoas felizes que são a única razão pela qual me enfio num edifício feio e cinzento que parece um hospital psiquiátrico, 5 dias por semana. Aos jantares em que alguém come mais do que os outros todos juntos. Aos jogos de cartas em que acabamos sempre com dores de barriga de tanto rir. Às viagens, físicas e espirituais. Às conversas, aos ombros amigos. Aos abraços a que tento sempre fugir. às pessoa com quem brincava aos Playmobils, que ainda hoje se lembram das melhores formas de me fazerem sorrir. A todos os verdadeiros amigos. E aos outros de que por vezes me esqueço. a>

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Alma - Parte VIII
Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Sonhei que desaparecias.

No meu sonho, via-te nas docas como naquele dia em que fugiste.

Tinhas uma túnica branca colada ao corpo, ensopada pela água, que te fazia assemelhares-te ainda mais a um anjo.

Os seus olhos cintilavam com as lágrimas e estavam vermelhos de choro, mais encarnados do que o teu cabelo. Onde estava aquele olhar que me seduzira? Estavas vazia, minha Alma, tinhas sumido de dentro de ti mesma.

E, de repente, fixaste esse olhar desabitado em mim e os teus lábios murmuraram lentamente um “Odeio-te.” tão intenso como o teu olhar despojado.

Subitamente, fui atingido por uma dor tão avassaladora que caí de joelhos, pensando que a morte não tardaria.

Subitamente, levantou-se um temporal. O vento fustigava-me as faces, as nuvens negras reuniam-se numa conspiração apressada, o ribombar dos trovões fazia tremer a tua figura frágil, a chuva que começara a cair agredia-me constantemente, deitando abaixo as lágrimas caprichosas.

No meio do temporal, a Natureza venceu-me e vi-me no chão, paralisado, a ser torturado e humilhado pelos elementos.

Era tudo tão violentotão violento… tão violento… tão violento… tão violento... tão violento…

Quando tudo acalmou, levantei os olhos do solo e olhei o sítio onde estiveras.

O vazio. Um vazio tão grande como o que eu vira nos teus olhos. Um vazio tão grande como o que se encontrava agora dentro de mim.

A túnica branca no chão.

Tão vazia e sem forma como eu.

A essa túnica faltava-lhe um corpo.

A mim, uma Alma.

Despertei sobressaltado e acordei-te assim que te senti ao meu lado.

Abriste devagar os olhos ensonados e, do meio do teu adormecimento suspiraste “Que se passa, meu Amor?”

E o teu olhar, apesar de confuso, era profundo e tão cheio de ti e do teu afecto que só te pude beijar e embalar de novo no teu sono.

Aquele vazio… não tenciono nunca mais sentir semelhante vazio…

Nem em sonhos.


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